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Fonte: http://www.redeto.com.br/noticia-20-rodoviaria-de-araguaina-problemas-que-vao-muito-alem-da-infraestrutura.html

Rodoviária de Araguaína: problemas que vão muito além da infraestrutura

07/03/2013 01:53:43

RedeTO

REDAÇÃO


A Rodoviária de Araguaína é uma das mais movimentadas do Tocantins. Por dia, passam pelo terminal, fundado em 1979, cerca de 600 pessoas. Nos fins de ano, o movimento triplica. Os principais destinos são Maranhão, Pará e Goiás. Além do transporte alternativo, com dezenas de vans, cerca de 20 empresas de ônibus atuam no local.

 

Rodoviária de Araguaína em dia movimentado


Localizada na Avenida Santos Dumont, próxima da região central, a rodoviária da segunda maior cidade do Tocantins parece não combinar com o momento que Araguaína vive. Pelo menos é o que pensa a maioria dos usuários. “Araguaína merece um terminal rodoviário a altura de suas pretensões. O que temos hoje não combina em nada com o desenvolvimento vivido pela cidade nos últimos anos”, afirmou a orientadora social Cleocilene Pereira da Silva.

Aproveitando a sombra de uma das árvores do canteiro da estação e reclamando do calor enfrentado dentro da rodoviária, Cleocilene criticou as condições do local. “A rodoviária está ultrapassada, precária mesmo. O calor é intenso, os bancos estão velhos, há rachaduras nos pisos e até um dia destes, apesar da taxa de embarque que somos obrigados a pagar, tínhamos que custear o uso do banheiro”, explicou ela.


 

Cleocilene critica condições do terminal rodoviário


As reclamações de Cleocilene se somam a tantas outras que fazem parte da realidade do terminal rodoviário de Araguaína. Em visita ao local, a equipe da RedeTO constatou a existência de uma série de problemas. Como se verá ao longo desta reportagem, são deficiências que vão muito além do aspecto estrutural, mas cujo preço sempre é pago pelo contribuinte.

Estrutura carente de reforma
 

Quem visita a rodoviária de Araguaína concorda: a impressão que se tem ao chegar ao terminal é que este há muito tempo não passa por uma reforma. Os boxes por onde chegam dezenas de ônibus e vans todos os dias apresentam buracos, dezenas deles. Os assentos de cimento, além da pintura desgastada, não apresentam nenhum conforto. O piso está rachado. O telhado metálico torna o ambiente quente, abafado. Não há um único guichê de informações. “É uma vergonha, onde vai parar o dinheiro dos nossos impostos?”, questiona um usuário.


 

Assentos de cimento: o desconforto de uma velha estrutura


Preços abusivos

Mas se engana quem pensa que são apenas as deficiências estruturais do terminal que são alvo de queixa por parte dos usuários. Há muitos outros. O preço dos produtos nos seis quiosques da rodoviária é outro problema apontado pela população. “Evito de comprar qualquer coisa na rodoviária. Geralmente quando vou fazer uma viagem mais longa, trago o lanche e a água de casa”, conta a estudante Anaiana Silva Sousa.


 

Quiosques são acusados por usuários de praticar preços abusivos


Na rodoviária de Araguaína, a garrafa de água mineral de 500 ml custa, em média, R$ 3,00. É o dobro do preço encontrado em muitos supermercados da cidade. O lavrador Mariano Moreira de Souza bem que tentou resistir, mas por causa do forte calor, acabou comprando uma garrafinha. “É caro, mas a sede fala mais alto e o jeito é pagar”, afirma.
 

Mariano: "a sede fala mais alto"


O salgadinho de milho de uma marca conhecida que custa, em média, R$ 1,00, é vendido por R$ 3,00 no terminal. Valor cobrado também pelo salgado comum. O copo de leite com café simples não sai por menos de R$ 2,00. Perguntada se consumiria na rodoviária, uma funcionária de um dos quiosques confessa que não: “É muito, muito alto o preços das coisas aqui”.

Para Maria Zélia Nascimento Teixeira, proprietária de um dos quiosques, os preços dos produtos oferecidos na rodoviária não são abusivos. “Em qualquer rodoviária que você vai, os preços geralmente são estes, não acho que sejam tão superiores a ponto de serem considerados abusivos”, destaca ela.

“Eles (os comerciantes) aproveitam que as pessoas não tem para onde correr, já que geralmente estão apressadas para pegar o ônibus, e inflacionam e combinam entre si o valor dos produtos. Sem alternativa, o jeito é comprar o lanche da viagem no terminal, mesmo com o preço nas alturas”, afirma o profissional liberal Atanael Lopes dos Santos.

Entrevistado pela RedeTO, o chefe do Procon em Araguaína, Alcides Filho Rodrigues, afirmou que na semana que vem uma equipe do órgão deve estar indo até a rodoviária para apurar as denúncias de preços abusivos. Caso seja confirmado, os quiosques devem ser notificados e, não se adequando dentro do prazo legal, podem ser multados.

Banheiros gratuitos?

Apesar de haver uma placa informando a gratuidade nos dois banheiros da rodoviária de Araguaína, não é difícil encontrar pessoas que afirmam ter pagado para utilizar os serviços. “Dia desses vi uma das senhoras que fazem a limpeza dos banheiros cobrar de uma usuária desinformada”, denuncia Cleocilene.


 

Apesar do aviso, denúncias de cobranças indevidas

         

À RedeTO, o chefe de Logradouros Públicos da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos de Araguaína, José Antonio Andrade, afirmou que a cobrança de taxa para utilizar o banheiro é ilegal. “O usuário que for constrangido a pagar qualquer valor para usar o banheiro deve denunciar a cobrança indevida”, explicou.

Falta de policiamento

Outro problema apontado pelos usuários da Rodoviária de Araguaína é a insegurança no terminal. Durante todo o tempo que a equipe da RedeTO esteve no local, cerca de 1 hora, não foi possível encontrar nenhum policial fazendo a segurança. Recentemente, um homem foi assassinado dentro da estação.



Duas possibilidades

Em entrevista a RedeTO, o Superintendente de Infraestrutura e Mobilidade Urbana de Araguaína, Paulo Gomes, afirmou que desde o começo do ano, está sendo estudado pela Secretaria Municipal de Planejamento, Meio Ambiente e Tecnologia, um projeto de reforma do Terminal Rodoviário da cidade, que contemplaria tanto a estrutura do prédio quanto do seu entorno, mas ainda não há nada definido a respeito.

O superintendente afirmou também que, além do projeto de reforma da rodoviária, há a possibilidade de construção de um rodoshopping na cidade. “Estamos estudando para definir qual seria a alternativa mais viável”, destacou.