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Fonte: http://www.redeto.com.br/noticia-26049-operacao-apura-desvio-de-r-458-milhoes-em-obras-de-pontes-no-to.html

Operação apura desvio de R$ 458 milhões em obras de pontes no TO

06/03/2018 14:21:36

Divulgação
O governador Marcelo Miranda (MDB) e o ex-governador Siqueira Campos (Sem partido) são alvos da Operação Pontes de Papel, deflagrada, na manhã desta terça-feira, 06

REDAÇÃO
REDE TO


O atual governador do Tocantins, Marcelo Miranda (MDB), e o ex-governador do estado, Siqueira Campos (Sem partido), são alvos de uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 06. Batizada de "Pontes de Papel", a ação da PF investiga pagamentos realizados pelo governo estadual para construção de pontes. A suspeita é que o esquema criminosa tenha provocado um prejuízo de de R$ 458 milhões aos cofres públicos, conforme levantamente realizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

Siqueira foi ouvido durante a manhã, na Superintendência da PF, em Palmas. Já Marcelo chegou à sede da polícia pouco antes do meio-dia. O pai dele, Brito Miranda, também foi intimado para prestar depoimento, mas ainda não se apresentou. 

As obras investigadas foram realizadas entre 2000 e 2016. O dinheiro deveria ter sido usado para construir 170 pontes, mas a polícia acredita que pelo menos 30 não foram executadas, uma vez que parte dos recursos foi desviada.


O superintendente da Polícia Federal, Arcelino Vieira, explicou que os contatos foram firmados com uma empresa italiana e os pagamentos feitos em dólar. Inicialmente, as obras estavam estimadas em R$ 411 milhões, mas por causa de aditivos e também em razão da conversão do pagamento em moeda americano, o valor subiu para R$ 1,4 bilhão. 

Operação 

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início após pedido do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que a PF promovesse a sistematização de dados relacionados a superfaturamento e ordens de pagamentos emitidas em determinados contratos, bem como identificação dos responsáveis pelos eventuais desvios.

Com a participação de cerca de 160 policiais federais, a Operação Pontes de Papel cumpriu 59 mandados judiciais, sendo 31 de intimação e 28 de busca e apreensão, em quatro estados e no Distrito Federal. No Tocantins, foram cumpridos mandados em Palmas, Porto Nacional, Guaraí e Presidente Kennedy. Como os donos das empresas investigadas são de fora do estado, a PF também executou ordens judiciais em Goiânia e Catalão (GO), Luiz Eduardo Magalhães (BA), Cuiabá (MT) e em Brasília (DF).

De acordo com a polícia, o esquema criminoso, infiltrado no governo do Tocantins, era formado por três núcleos: um núcleo formado por políticos, outro por empresários e um terceiro composto de servidores públicos e funcionários de empresas. "O núcleo político tinha poder decisório sobre o contrato de financiamento internacional; era ele que autorizaca os aditivos e determinava quais pontes seriam ou não construídas. Já o núcleo mais técnico coordenava o órgão executor. E, por fim, o núcleo de empresários era integrados por aqueles que se beneficiaram com o processo de dolarização", declarou o superintendente. 


As pessoas investigadas deverão responder por vários crimes, entre eles desvio de recursos públicos, fraude em licitação e execuução de contratos administrativos, peculato, corrupção ativa e passiva, e cartel. 

O que dizem os investigados

A assessoria do governador Marcelo Miranda afirmou que ele está à disposição das autoridades e que vai colaborar com as investigações da Polícia Federal. 

Em nota, o ex-governador Siqueira Campos disse que está sempre à disposição da Justiça para prestar os esclarecimentos que forem necessários. Ele destacou ainda que durante seus mandatos, buscous recursos para o estado, mas jamais foi ordenador de despesas, gestor de contrato ou responsável por medições de responsabilidade técnica.

A REDE TO ainda não conseguiu contato com a defesa de Brito Miranda, pai do atual governador.