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Fonte: http://www.redeto.com.br/noticia-75-araguaina-lidera-ranking-da-violencia-no-tocantins-estado-esta-entre-os-11-que-mais-matam-mulheres.html

Araguaína lidera ranking da violência no Tocantins; estado está entre os 11 que mais matam mulheres

08/03/2013 01:46:41

Divulgação

REDAÇÃO


A ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, afirmou ontem (07), em entrevista a um programa de rádio, que o Dia Internacional da Mulher, comemorado em todo o mundo nesta sexta-feira, dia 8 de março, é uma “data triste”. Para ela, “não é uma celebração, e sim um marco da luta das mulheres pelos seus direitos”.

A afirmação da ministra é justificável. Apesar de avanços das últimas décadas, como a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a mulher ainda é vítima de violências, preconceitos e abusos. As estatísticas dizem isso. Nesta reportagem, a RedeTO apresenta, de forma detalhada, alguns dados que, certamente, não combinam com o espírito de celebração desta data. Na verdade, são mais um alerta de que ainda há um longo caminho a ser percorrido a fim de garantir a elas os direitos que lhes assistem.

Número de mulheres assassinadas no Brasil

O número de mulheres assassinadas no Brasil deu um salto nos últimos 30 anos. De acordo com uma pesquisa coordenada pelo sociólogo Júlio Jacobo, intitulada de Mapa da Violência de 2012, uma mulher é agredida no Brasil a cada 5 minutos. De 1980 a 2010, houve no país cerca de 90 mil homicídios femininos, quase metade deles só na última década. O número de mortes nesse período passou de 1.353 para 4.465, o que representa um aumento de 230%.

Entre 87 países, o Brasil é o 7º onde mais mulheres morrem vítimas da violência. São 4,4 assassinatos em cada grupo de 100 mil mulheres. O estado mais violento do país é o Espírito Santo, com 9,4 homicídios por 100 mil. O Piauí, por sua vez, é o estado onde há menos homicídios femininos, com 2,6 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres.

Segundo a pesquisa, em quase 70% dos casos, quem espanca ou mata a mulher é o namorado, marido ou ex-marido. Em cerca de metade das ocorrências, o meio utilizado no homicídio feminino foi a arma de fogo (49,2%), seguido de objeto cortante ou penetrante (25,8%), objeto contundente (8,5%) e estrangulamento e sufocação (5,7%). Os outros meios correspondem a pouco mais de 1/10 das ocorrências (10,8%).

Número de mulheres assassinadas no Tocantins

Por ser o estado mais novo do Brasil, o Mapa da Violência julga os dados do Tocantins somente a partir do ano 2000. De acordo com a pesquisa, o estado apresenta um crescimento relativamente elevado no número de casos de violência contra a mulher: 45,3% na década ou 3,8% ao ano. Trata-se do 11º estado onde mais ocorreram homicídios femininos em 2010. Foram 5,1 assassinatos para cada grupo de 100 mil mulheres.

Ranking da violência contra a mulher no estado

O levantamento aponta que Araguaína é a cidade tocantinense onde mais foram assassinadas mulheres em 2010. Foram 7,8 assassinatos para cada grupo de 100 mil mulheres. Gurupi, por sua vez, está na segunda posição, com 5,2 homicídios. Com 1,7 assassinatos em 100 mil mulheres, a capital Palmas é a terceira onde mais morreram mulheres vítimas da violência.

Quem são os agressores

A pesquisa revelou que até os 14 anos de idade, os pais são os principais responsáveis pela violência. O papel de agressor, contudo, vai sendo substituído aos poucos pelo parceiro ou ex-companheiro, a partir dos 20 anos de idade, situação que se mantém até os 60 anos. Depois dos 60, aponta o levantamento, os filhos são os principais autores de violência contra a mulher.

Sobre a pesquisa

O levantamento apresentado foi feito com base em dados secundários, obtidos do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – ambos do Ministério da Saúde. Para os dados internacionais, Jacobo utilizou o Sistema de Informações Estatísticas da Organização Mundial da Saúde.

Para mais informações sobre o Mapa da Violência 2012, clique aqui.