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Fonte: http://www.redeto.com.br/noticia-24508-mpe-investiga-militares-por-suposta-invasao-a-delegacia-no-tocantins.html

MPE investiga militares por suposta invasão à delegacia no Tocantins

25/04/2017 17:38:53

Reprodução
A chegada e saída dos policiais na 2ª Delegacia de Polícia Civil de Paraíso foi gravada e o vídeo com as imagens compartilhado centenas de vezes nas redes sociais

REDAÇÃO


O Ministério Público Estadual informou nesta terça-feira, 25, que está investigando auma suposta invasão praticada por policiais militares à 2ª Delegacia de Polícia Civil, em Paraíso do Tocantins, na região centro-oeste do estado. De acordo com o MPE, o objetivo do Inquérito Civil Público (IPU) instaurado é apurar se houve desvio de conduta ou falta funcional que tipifique ato de improbidade administrativa. 

A portaria com os detalhes do inquérito foi publicado pelo Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), nesta segunda-feira, 24, no Diário Oficial do Ministério Público

Na quinta-feira, 20, dois dias depois que dois PMs foram presos, em Paraíso, por envolvimento com o tráfico de drogas, 20 policiais adentraram a 2ª DP, com o pretexto de entregar um ofício ao delegado Cassiano Ribeiro Oyama, que conduz as investigações sobre os militares. "Minha delegacia foi invadida por cerca de 20 policiais militares armados com fuzil [...] perguntei: 'porque você invadiu a minha sala?' Ele disse: 'você invadiu meu batalhão'", afirmou a autoridade policial em um áudio divulgado no WhatsApp.

O ofício informava que os militares que foram intimados para depor não seriam apresentados, em razão de ausência de tempo hábil para composição de escala. Várias entidades que representam os policiais civis criticaram a ação dos PMs, considerada intimidatória. A suposta invasão dos militares seria uma resposta ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, no último dia 18, na sede do 8ª Batalhão da PM na cidade. As ordens judiciais foram expedidas no âmbito da Operação Frutos Podres, que investiga os policiais presos.

"Injustificável" 

Para os promotores, “mesmo na hipótese de inexistência de indícios da prática de coação no curso do processo, o fato carece ser cabalmente investigado, porquanto aparenta tratar-se de ação desarrazoada e injustificável que o 8º Batalhão de Polícia Militar da cidade tenha mobilizado praticamente todo o seu efetivo do dia, cerca de vinte homens fortemente armados, a bordo de quatro viaturas, com o propósito de protocolizar um simples ofício na 2ª Delegacia de Paraíso”. 

A chegada e saída dos policiais foi gravada e o vídeo com as imagens compartilhado centenas de vezes nas redes sociais. 

As investigações da Operação Frutos Podres seguem em segredo de Justiça. Os dois militares investigados estão detidos no Quartel do Comando Geral da PM, em Palmas. 

Providências

Diante dos fatos, o MPE pediu ao Comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar que encaminhe, em 15 dias, a relação nominal de todos os militares escalados para o serviço de patrulhamento no dia 20 de abril de 2017 e a identificação das viaturas. Também foi solicitada a relação nominal de todos os militares e viaturas estiveram no 2º Distrito Policial, no último dia 20, com o objetivo de entregar ofício ao delegado.

O Ministério Público informou que também pretende ouvir o delegado de polícia e todos os policiais civis que se encontravam presentes na delegacia no momento da suposta invasão. 

Ânimos alterados

Na quinta passada, as cúpulas da PM e da Secretaria de Segurança Pública tentaram acalmar os ânimos entre os policiais. Em entrevista coletiva no Palácio Araguaia, o sub-secretário de Estado da Segurança Pública, Abzair Paniago, afirmou que não há rompimento entre as duas forças de segurança.
 “Qualquer ação, ocorrida no interior de unidades, tanto da Polícia Civil quanto da Militar, gera desconforto e possível acirramento momentâneo de ânimos. Mas o importante disso tudo é que os fatos estão sendo apurados e as duas forças estão trabalhando juntas, unidas para solucionar a questão e pela segurança do Estado”, afirmou.

Na ocasião, o comandante geral da PM, Glauber de Oliveira Santos, disse que um
Inquérito Policial Militar foi instaurado para investigar a ação da Polícia Civil no 8º BPM. “O IPM foi instaurado para apurar as condições em que se deu a ação. Isto é um procedimento obrigatório que tenho que adotar por força do Código Penal Militar. O IPM tem um prazo de 40 dias para chegar a um resultado”, declarou o coronel.