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Fonte: http://www.redeto.com.br/noticia-24669-justica-federal-mantem-prisao-de-4-investigados-na-operacao-lucas.html

Justiça Federal mantém prisão de 4 investigados na Operação Lucas

16/05/2017 19:09:55

Divulgação

REDAÇÃO


A Justiça Federal manteve as prisões temporárias de quatro pessoas presas nesta terça-feira, 16, durante a Operação Lucas, da Polícia Federal, que investiga crimes de corrupção envolvendo servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e empresas fiscalizadas pelo MAPA. 

Os investigados foram ouvidos, ao longo do dia, na sede da Justiça Federal, em Palmas. Depois dos depoimentos, o juiz João Paulo Abe decidiu pela manutenção das prisões de Luís Feitosa, Humphrey Teixeira dos Santos, Fernanda Alves Dias e Antônio Augusto Machado. Outras duas pessoas detidas foram postas em liberdade. Myrian Pinto de Amorim, que é idosa, foi liberada após ter esclarecido que não administrava concretamente as empresas investigadas, e Dawes Rodrigues Sousa Lima depois de justificar a razão dos depósitos que efetuou na conta de uma fiscal alvo da operação. 

Investigações

As investigações apontaram que a chefe do Serviço de Inspeção na Superintendência Federal de Agricultura, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Tocantins, Adriana Carla Floresta, usava seu cargo para, supostamente, receber propinas e pagamentos mensais em troca do retardamento de atos de fiscalização em frigoríficos e laticínios do estado.

Durante o inquérito, escutas telefônicas e quebras de sigilos bancários e fiscais dos envolvidos revelaram a existência de um esquema de corrupção, que além de atrasar propositadamente processos administrativos de aplicação de sanções e multas administrativas, concorreu para a liberação de licenças de funcionamento sem a obediência dos requisitos legais, e para a aplicação, tão somente, de penalidades de advertência, em situações que implicariam, necessariamente, a autuação das empresas fiscalizadas, mediante aplicação de pesadas multas por descumprimento da legislação sanitária.

Segundo a PF, apenas na conta pessoal de Adriana Carla, a investigação identificou a diferença de mais de 200% do declarado em seu imposto de renda. 
Na conta bancária de um dos filhos da superintendente, foram identificados lançamentos de créditos periódicos no valor de R$ 5 mil, nos períodos de 2011 a 2016. Em outra conta, do ex-marido da servidora, foi encontrado um montante de R$ 1.023.708,20, de origem não identificada.

A polícia estima que o esquema criminoso tenha movimentado cerca de R$ 3 milhões, entre os anos de 2010 a 2016. Todos os valores eram depositados por representantes de empresas fiscalizadas que, segundo a Polícia Federal, teriam sido beneficiados com a conduta da superintendente.

Operação


Deflagrada no começo da manhã desta terça, a operação Lucas contou com a participação de cerca de 120 policiais federais e cumpriu mandados em Palmas, Gurupi, Paraíso, Araguaína e Augustinópolis, no Tocantins, e em Belém (PA), Araraquara (SP), Campinas (SP) e Recife (PE). Foram 62 ordens judiciais, sendo 10 de prisão temporária, 16 de condução coercitiva e 36 de busca e apreensão. O juiz federal João Paulo Abe também determinou o bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens móveis e imóveis nos valores de R$ 2,2 milhões.

Segundo a PF, os investigados responderão pelos crimes de corrupção passiva e ativa, cujas penas podem chegar a 12 anos de reclusão.

O nome da operação faz referência à passagem bíblica do livro de Lucas que diz: “Não peçais mais do que o que vos está ordenado” e “A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo”.