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ILUSÕES E VERDADES - Marcelo, Sandoval e Ataídes: uma análise sobre os 3 principais candidatos a governador do Tocantins

31/08/2014 20h27 | Atualizado em: 02/09/2014 16h23

Fotomontagem REDE TO Marcelo, Sandoval e Ataídes atuam como três artistas em um palco empoeirado pelo passado

Os três principais candidatos a governador do Tocantins têm algo em comum: vendem ilusões. O discurso enfeitado, colorido e “revolucionário” de Marcelo Miranda (PMDB), Sandoval Cardoso (SD) e Ataídes Oliveira (PROS), na verdade, tenta esconder o óbvio: todos têm seus méritos, mas nenhum deles é tão maravilhoso que não esteja sujeito a cometer erros. O passado é testemunha e o futuro não pode ser a vítima.

Marcelo Miranda é um político experiente. Aliás, a palavra “experiência” é destaque no nome de sua coligação. Seus óculos inseparáveis dão a ele um ar de seriedade. De fato, trata-se de um político que passa confiança quando fala. Articulado, o candidato oposicionista vende boas ideias e prega “mudança” em seu discurso, quase sempre inflamado. Mas como recordar é viver, não há como esquecer um fato relevante sobre ele. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Marcelo governou o Tocantins de 1º de janeiro de 2003 a 9 de setembro de 2009, quando foi cassado por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso de poder político. Uma condenação desse tipo, inevitavelmente, mancha a biografia de qualquer homem público. Porém, não resume toda uma trajetória. Para muitos eleitores, votar no ex-governador é dizer não a Siqueira Campos (PSDB). É protestar contra o tucano, que deixou o comando do Palácio Araguaia com a popularidade bastante prejudicada. Marcelo representaria, portanto, uma forma de mostrar indignação com o antecessor de Sandoval. O candidato do PMDB representa a insatisfação do tocantinense. Ao tomar para si a missão de mudar tudo que está aí, ele ganhou a confiança dos descontentes.

Sandoval e seu sotaque arrastado, não consegue passar a simpatia desejada pelos marqueteiros de sua campanha. Falta a ele um “algo mais”, que, certamente, só virá com o tempo. O atual governador, porém, transmite jovialidade e, em doses ainda tímidas, segurança. 120 dias de governo não são suficientes para traçar uma conclusão sobre o candidato, mas é importante para entender como seria o seu governo. Desde que assumiu o Executivo, em uma manobra orquestrada por Siqueira, Sandoval mostrou empenho para enfrentar os problemas do Tocantins. Talvez seja por causa da campanha, mas é inegável que vê-se muita disposição do governador para lidar com os desafios que, notoriamente, fazem parte da realidade dos tocantinenses. A crise na saúde é um deles. Sandoval poderia apenas ignorá-la, se limitar a dizer que é um problema antigo e que a culpa é dos governos passados. Ele foi além disso. Traçou uma série de ações para resolver o problema. Promessa de campanha. O candidato do Solidariedade exagera nisso. São tantas promessas que fica difícil até acompanhar. Além disso, outro problema é que Cardoso parece não parece aceitar críticas. Como homem público, deveria ser mais flexível quanto a isso. Não é. É claro que há excessos a serem punidos, mas vejo muita dureza do candidato em relação a toda e qualquer opinião que lhe seja desfavorável. É preciso mudar isso ou então, eleito, teremos um governador querendo tirar do povo o direito de livre manifestação. Sobre a foto de Sandoval com a onça abatida, bem, não há muito para comentar. O assunto já foi explorado ao extremo e as explicações já foram dadas. Acredita quem quer. Agora, acho desnecessário o terrorismo que é feito com essa imagem. É muita baixaria publicá-la apenas em tempos de eleição. Não tem graça, é sensacionalismo.

Ataídes encarna com muito mais vigor o papel de candidato oposicionista que Marcelo. O senador, que ocupou a vaga deixada por João Ribeiro, já mostrou que é um homem corajoso. “Reage Tocantins” é o nome de sua coligação. Não é um político popular, mas tem potencial. Para isso, porém, é preciso caminhar muito. Sinto em sua campanha pouca proximidade com o eleitor. Às vezes dá a impressão de que é um candidato que fala sozinho. O discurso, porém, é maduro, consistente. O tom de voz é que atrapalha. Às vezes, Oliveira se enrola e sua mensagem não é captada com êxito. O senador tem uma visão empresarial da gestão pública, o que é um ponto favorável. Mas é preciso ter certeza que esse entendimento será realmente aplicado, caso ele seja eleito. Outro ponto que deve ser levado em conta nesta análise: antes de ser candidato, Ataídes cometeu um erro grave. Virou o senador de uma bandeira só. Sua luta incansável no Senado era contra supostas irregularidades no sistema S. O tocantinense, sem dúvida, esperava mais.

O voto consciente é aquele decidido com prudência, entendimento e inteligência. Conhecer o candidato permite julgá-lo com sensatez. Marcelo, Sandoval e Ataídes atuam como três artistas em um palco empoeirado pelo passado. Para compreendê-los, a plateia precisa olhar além das máscaras escolhidas para o espetáculo eleitoral.

 

Por Daniel Lélis
Editor-chefe da REDE TO
E-mail: [email protected]

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