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De Tudo, um Pouco

O sapo e a perereca

26/11/2014 10h30 | Atualizado em: 10/06/2015 16h54

Divulgação "A vida no campo é rica e muitos são os poemas que nos induzem a celebrar as diversas cores, sabores e encantos de tudo aquilo nos envolve quando estamos longe das cidades"

Muitos, como eu, adoram a vida ao ar livre, no campo, nas fazendas. Acordar com o cheiro do café no fogão de lenha e as manhas frias e nebulosas até abrir o sol que brilha sobre o verde capim que balança ao sabor de vento e as árvores que murmuram canções lentas embaladas pelos cantos dos pássaros. A pintura de um artista, não consegue expressar a beleza natural e os perfumes da mata adornados ora pelo clarão da luz, ora pelo brilho das estrelas! A vida no campo é rica e muitos são os poemas que nos induzem a celebrar as diversas cores, sabores e encantos de tudo aquilo nos envolve quando estamos longe das cidades.

Como gosto de conversar muito sobre histórias antigas, me sentei ao lado de um senhor nascido e criado na fazenda antiga da família e ouvir seus contos de caçada e pescarias. O caboclo não tem outra distração senão caçar e pescar e contar "causo" muitas vezes entre uma e outra baforada do cigarro de palha e de fumo de rolo.
 
Mas nem tudo é tão tranqüilo na roça. Ouvi a história de uma moça da cidade que querendo conhecer o campo se aventurou e foi passar uns dias na fazenda. Inicialmente encantada com o ar bucólico, se prestou a cozinhar bolinhos no fogão de lenha e a interagir com as pessoas do local. Querendo ser amigas de todos e conhecer suas rotinas, ela pediu para acompanhar uma caçada de paca. Contudo, como muitas mulheres (e até homens) têm medo dos animais e insetos, e em questão de campo, é o que mais tem!

Já um tanto incomodada pelo fato da casa não ter banheiro dentro da casa e ter a famosa "casinha" ao ar livre que enquanto as usamos podemos apreciar a beleza do céu sobre nossas cabeças, ela evitava ao máximo precisar sair a noite para usar o banheiro segurando todas as suas necessidades até o dia seguinte!

 Chegado o dia da famosa caçada! Ela se preparou, colocou botas, se agasalhou, se apoderou de um chapéu, uma lanterna, colocou uns bolinhos dentro da sacola e foi seguindo os passos dos caçadores experientes à sua frente. Pensando que uma caçada é algo fácil de se realizar, pediu descanso depois de várias horas de caminhada. Escolheram o lugar que iriam esperar a noite e armaram as redes próximos aos locais escolhidos onde a paca estava comendo uma fruta silvestre. Mostraram a moça como ela deveria se portar e deixaram um caçador experiente próxima a ela. A noite chegou e as horas não passavam...o frio tomou conta do lugar que antes fazia suar as sobrancelhas...o desconforto e o silêncio se fizeram presentes ao mesmo tempo que a saudade de casa e o medo...aquela curiosidade toda ao redor da vida no campo já não existia mais e a moça não parava de contar os minutos em que tudo aquilo iria acabar e que ela iria de volta para a sua cama quente e confortável.

Se já não bastassem o medo e o cansaço, sobreveio a vontade de urinar! E agora?! Como fazer?! Ela sozinha próximo ao caçador no meio do nada e no escuro!...mas a vontade foi maior e ela foi obrigada e se virar sozinha e sem acender a lanterna. Na surdina, saiu de sua rede, palpou devagar o chão com medo de pisar em uma cobra ou sapo (morria de medo de pererecas e sapos...) e com muito silêncio começou a esvaziar a bexiga. Com o barulho dela cumprindo com sua necessidade, a paca que ali se encontrava mexeu na folha e alertou o caçador que prontamente, acendeu a lanterna e disparou o tiro certeiro, enquanto a moça em posição muito constrangedora, terminou o que começara a fazer!...
 
Com este desfecho, chegara o final da caçada indo todos de volta para a fazenda rindo e dizendo que esta paca já estaria temperada pela moça que despejara nela!...

Pois bem, depois de muitos risos e gozações, ela foi dormir exausta e assustada pela experiência passada e decidiu não voltar mais! Mas, durante a noite, foi vencida novamente pela vontade crescente de urinar e por não querer ir lá fora pelo medo do escuro, resolveu usar o famoso urinol, objeto antigo muito aplicado nas fazendas para atender ao desejo a noite sem precisar sair ao banheiro que quase sempre se localiza fora das casas.

Ela se despiu, acertou a posição agachada e começou a esvaziar novamente a bexiga... e foi quando de repente sentiu algo frio e pegajoso pulando em suas nádegas enquanto estava ali de cócoras! Assustada, acendeu rapidamente uma vela e viu que era um sapo que resolveu dormir dentro do urinol!... Não resistiu e perdendo a vergonha saiu gritando pela casa ate a cozinha, pouco vestida, servindo novamente de gozação para os caçadores que estavam junto ao fogão contando "causos" de caçadas. Ela envergonhada resolveu que não queria saber mais de campo e voltou para a cidade! Coitada! Duas experiências em uma mesma noite, fez com que ela ficasse conhecida como a "dama do urinol"

Tomemos o impulso de reconhecer as belezas do campo e também as suas dificuldades!
 

Por Nelson Ferreira

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