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As lições da 25ª Cavalgada de Araguaína: erros e soluções

Não importa o que se faça. A 25ª edição da Cavalgada de Araguaína sempre será lembrada como aquela em que um grupo de valentões agrediu covardemente um motociclista. Por mais que se tente abafar o que aconteceu ou esconder o episódio, todos os araguainenses guardarão em suas memórias as cenas lamentáveis daquele domingo

10/06/2013 00h51 | Atualizado em: 10/06/2013 23h06

REDE TO/Tarcísio Sousa Cavaleiros agridem motociclista durante a 25ª Cavalgada de Araguaína: cenas lamentáveis de um episódio truculento

Não importa o que se faça. A 25ª edição da Cavalgada de Araguaína sempre será lembrada como aquela em que um grupo de valentões agrediu covardemente um motociclista. Por mais que se tente abafar o que aconteceu ou esconder o episódio, todos os araguainenses guardarão em suas memórias as cenas lamentáveis daquele domingo.

Passado o calor da emoção, é possível agora, uma semana depois, avaliar com mais serenidade e justiça o que aconteceu no dia 2 de junho de 2013. Detalhar o ocorrido é um tanto cansativo – as agressões foram amplamente divulgadas pela mídia, mas faz-se necessário, através de um olhar apurado, traçar algumas lições que, certamente, hão de ser úteis para as próximas edições do evento mais popular de Araguaína.

Em primeiro lugar, a cavalgada é para cavaleiros e amazonas desfilarem. Motociclistas precisam entender isso, mantendo uma distância mínima dos animais. Está no regulamento. O conflito poderia ter sido evitado se ele fosse respeitado. Não tem cabimento algum toda aquela barulheira promovida por motociclistas. Onde já se viu?! Os animais, que já sofrem com o intenso calor, ficam assustados, estressados e, naturalmente, isso pode acarretar graves consequências. É um risco para a integridade física de quem participa do cortejo e um perigo para quem assiste ao evento.

A segunda lição é: cavaleiro alcoolizado deveria ser automaticamente excluído do cortejo. Ao longo do desfile, foi possível ver dezenas de cavaleiros completamente bêbados, sem condições alguma de estar ali. Não tem fiscalização para coibir os excessos? Onde estava a segurança durante o tumulto? E a polícia, por onde andava? Parte dos integrantes da comitiva envolvida na agressão estava nitidamente alterada, sem controle. Era legítimo protestar contra os motociclistas que vinham atrás do cortejo fazendo bagunça, mas no momento que o grupo partiu para a selvageria, perdeu completamente a razão. Nada justifica os socos, pontapés e chicotadas. Parecia coisa de faroeste. O motociclista foi derrubado da moto junto com o filho que, na sequência, acompanhou o pai sendo surrado em frente a dezenas de pessoas. Vai demorar muito tempo até que o garoto esqueça o terror que viveu. Tente explicar para uma criança o que leva alguém a cometer uma barbaridade daquelas. Nenhum argumento, por mais sólido que seja, a fará compreender os motivos por trás de tamanha violência.

Sobre a amazona que teria sido derrubada do cavalo depois que o animal ficou assustado com o barulho das motocicletas, ficam algumas questões: - onde, quando e como ela foi derrubada?; - por que ela não procurou a polícia para denunciar o que aconteceu?; - tendo sido derrubada pelo motivo alegado, o que levou os integrantes da comitiva a acreditarem que podiam fazer justiça com as próprias mãos?

Por fim, a última lição que fica da cavalgada deste ano é: excessos como os que ocorreram devem ser punidos exemplarmente. Não pode ficar apenas no discurso as medidas punitivas contra os agressores. É preciso levar para a prática. A impunidade é um convite à reincidência. Infelizmente, o que se viu, por parte das autoridades e organização do evento, foi uma tentativa de mascarar os envolvidos. Tanto é assim que o nome de nenhum deles foi divulgado por fontes oficiais. Reconheceram o problema, mas não disseram quem o causou. Ano que vem, a comitiva não desfilará mais, contudo, quem garante que os agressores que dela faziam parte não irão dar as caras, desfilando em outros grupos? Não há como garantir. Talvez por isso, o filho que teve o pai agredido, pensará duas vezes antes de participar da cavalgada do ano que vem. Era isso que o seu olhar assustado, cercado de lágrimas, queria dizer.

***

Em tempo: quero parabenizar o repórter Tarcísio Sousa, da Rede Tocantins de Notícias que, com agilidade, inteligência e profissionalismo, registrou as agressões ocorridas durante a Cavalgada de Araguaína. As imagens, publicadas na REDE TO poucos minutos depois do fato, foram repercutidas em diversos veículos de comunicação, de várias partes do Tocantins. Não é a toa que, faltando três dias para completarmos três meses no ar, somos líderes de audiência na região norte do estado, conforme dados do Alexa. É o sucesso de quem veio para fazer a diferença, de quem acredita no poder da informação para construir um mundo melhor. O primeiro lugar, claro, aumenta a nossa responsabilidade, mas estejam certos: faremos tudo que for possível para honrar cada acesso conquistado. Aos que acreditam no nosso trabalho, MUITO OBRIGADO.


Daniel Lélis
Editor-chefe da REDE TO

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