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Estado

Fiscal recebeu propina para liberar carne contaminada no TO, diz juiz

30/08/2017 12h57 | Atualizado em: 30/08/2017 14h00

Divulgação Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 30, uma nova fase da Operação Lucas, apelidada de Operação Vegas: PF investiga frigoríficos que pagariam propina a servidores do MAPA em troca da liberação de carne em situação irregular

REDAÇÃO


Uma nova fase da Operação Lucas foi deflagrada nesta quarta-feira, 30, no Tocantins, Maranhão e Minas Gerais. Apelidada de Vegas, a nova etapa da operação da Polícia Federal cumpre 51 mandados judiciais, sendo uma prisão preventiva, 10 prisões temporárias, 12 mandados de condução coercitiva e 28 mandados de busca e apreensão. 

No Tocantins, as ordens judiciais são cumpridas nos municípios de Araguaína, Gurupi, Palmas e Paraíso. Os agentes estiveram na sede de 12 empresas no estado, entre elas dois frigoríficos, Boi Forte e Minerva, e uma fábrica de gelatina, a Gelnex. 

A Operação Lucas apura denúncia de que frigoríficos e empresas de laticínios fiscalizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento teriam sido favorecidos em processos administrativos, por meio do retardamento na tramitação e anulação de multas. As investigações apontam que servidores do MAPA recebiam propina para liberar alimentos impróprios para consumo.  

A PF informou que os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção passiva e ativa, cujas penas podem chegar a 12 anos de reclusão.

Carne contaminada

Na decisão que autorizou a Operação Vegas, o juiz federal João Paulo Abe cita o fiscal Dagoberto Machado Prata, servidor do MAPA que teve a prisão preventiva decretada na Vegas. "O investigado Dagoberto Machado Prata permitia, dentre outras coisas, que carcaças manifestamente contaminadas por tuberculose fossem destinadas a consumo humano, impedindo que a planta frigorífica da empresa LKJ (Boi Forte) em Araguaína fosse fechada, pelo absoluto descumprimento das normas sanitárias e de segurança alimentar previstas para o setor", afirmou o magistrado. 

Daboberto teria recebido, entre 2010 e 2017, propina mensal de R$ 50 mil mais R$ 5 mil de auxílio combustível do Boi Forte para liberar carcaças de animais contaminados. Afastado das funções no ministério, o servidor é acusado de destruir provas e atrapalhar as investigações. O fiscal deve prestar depoimento à PF nesta quarta e, em seguida, recolhido em uma unidade prisional. 


A decisão de João Paulo Abe não explica se a carne irregular chegou a ser comercializada ou consumida. A ingestão do produto contaminado com a bactéria que causa a tuberculose pode transmitir a doença para seres humanos. 

Outro lado

Em nota, a Minerva Foods afirmou que não há indiciamento ou denúncia contra a companhia ou seus executivos e membros do Conselho de Administração. A unidade da empresa em Araguaína garantiu que mantém as suas atividades regulares e reafirmou o compromisso com as melhores práticas e o cumprimento da legislação e do seu Manual de Ética.

O frigorífico Boi Forte declarou que é zeloso com todos os processos de produção dos alimentos e que ainda não tem conhecimento sobre o conteúdo da investigação da Polícia Federal. 

A Gelnex disse que entregou todos os documentos que foram solicitados pela PF e esclareceu que não há nada que caracterize desvio de conduta nas atividades da empresa. 


O advogado de Dagoberto Machado Prata, Célio Moura, e o Ministério da Agricultura ainda não se manifestaram sobre a Operação Vegas. 

Nome da operação

Segundo a PF, o nome da operação desta quarta faz alusão a um diálogo interceptado pelos policiais, no qual um investigado diz que “tudo que se passa em Vegas, fica em Vegas”.


 

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