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Araguaína-TO, sexta, 23 de agosto de 2019
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Estado

Caminhoneiros mantêm interdição de rodovias federais no Tocantins

25/05/2018 12h56 | Atualizado em: 25/05/2018 21h03

Fotos 1, 2, 3 e 4: Divulgação Caminhoneiros que não aceitaram acordo com governo mantêm 11 pontos de bloqueio em rodovias federais no Tocantins; Temer autorizou Exército a usar força para desobstruir estradas

REDAÇÃO
REDE TO

 

Apesar da proposta do governo federal de reduzir em 10% o valor do diesel, os caminhoneiros decidiram continuar a greve no Tocantins, mantendo e ampliando o número de rodovias federais interditadas no estado. Até a conclusão desta reportagem, eram 11 pontos de bloqueio.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, há interdição em trechos da BR-153 nas seguintes cidades: Araguaína (km 152), Nova Olinda (km 208,7), Colinas do Tocantins (km 245), Fortaleza do Tabocão (km 360), Paraíso do Tocantins (km 492), Gurupi (km 674), Alvorada (km 761) e Figueirópolis (km 723). Na BR-010, são dois pontos de bloqueio, um em Silvanópolis (km 306) e outro em Santa Rosa do Tocantins (km 26). O 11º trecho interditado fica na BR-235, em Pedro Afonso (km 164, entre a ponte sobre o rio Tocantins e o trevo da cidade).

Além das BRs, algumas rodovias estaduais também foram interditadas pelos caminhoneiros. Um dos pontos de bloqueio fica no distrito de Luzimangues e o outro na cidade de Porto Nacional. No município, fica localizada a base de distribuição da Petrobras. 

A PRF afirmou que em todos estes locais, o trânsito está bloqueado para veículos de carga não perecível. Apenas carros de passeio, ônibus, ambulâncias e alguns veículos que transportam carga viva ou produtos alimentícios são autorizados a passar.

Consequências

As consequências da paralisação têm se agravado nas últimas horas. Segundo o
 Sindicato dos Postos de Combustíveis do Tocantins (Sindiposto), já não há mais combustível nos postos das três maiores cidades. Depois do corre-corre para abastecer, os 54 estabelecimentos de Palmas, os 27 de Gurupi e toda a rede de Araguaína estão com os estoques zerados. A situação se repete em Paraíso do Tocantins, Porto Nacional, Guaraí, Colinas do Tocantins e em outros municípios do interior. 

Além da falta de combustível, os tocantinenses enfrentam também a escassez de alimentos. A Central de Abastecimento de Hortifrutigranjeiros (Ceasa) informou que está operando apenas com 20% da sua capacidade e, por isso, cancelou as vendas e priorizou o abastecimento de hospitais.

Sem poder recompor o estoque, os supermercados estão com as prateleiras parcialmente vazias. Com o aumento da demanda, algumas empresas, a exemplo de vários postos de gasolina, aumentaram o preço dos produtos. O Procon disse que está fiscalizando os estabelecimentos e que o consumidor pode acionar o órgão em caso de reajuste abusivo. No caso dos postos, quatro, três em Araguaína e um em Almas, foram autuados por venderem gasolina com valor exorbitante. O reajuste questionado foi de até R$ 1. Na Quadra 408 Norte, em Palmas, um revendedor de gás de cozinha foi notificado pelo órgão por comercializar o botijão de gás por R$ 120, um aumento de R$ 30. 

Nesta sexta, o Ministério Público Estadual declarou que irá atuar junto com o Procon no monitoramento do preço de combustíveis, gás de cozinha e produtos alimentícios.

Após reunião de emergência realizada na quarta, o governo do estado assegurou que não há risco de desabastecimento da frota oficial, mas afirmou que está orientando os motoristas a economizarem combustível. A Garagem Central do Executivo Estadual recebeu um carregamento de 40 mil litros de combustível. Neste momento, a prioridade é abastecer veículos de órgãos e instituições que prestam serviços essenciais como hospitais, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. Com o mesmo objetivo, a Prefeitura de Palmas declarou que já garantiu mais de 12 mil litros para os carros oficiais.


A greve, iniciada na segunda, vem comprometendo a prestação de serviços em todo o Tocantins. Faculdades e escolas tiveram que cancelar as aulas. Os Correios não estão conseguindo entregar encomendas e correspondências. Na capital, a frota de ônibus do transporte público foi reduzida e, conforme a Infraero, o aeroporto local não tem mais combustível para abastecer aeronaves. 

Por causa do protesto, a Ordem dos Advogados do Brasil cancelou a aplicação da segunda fase do exame da OAB que aconteceria, no domingo, 27, em Palmas, Araguaína e Gurupi. Já a Universidade Federal do Tocantins (UFT) suspendeu as provas do vestibular de Educação do Campo de Arraias, do extravestibular e do concurso para professor. 

Justiça

Nesta quinta, o juiz Adelmar Aires Pimenta, titular da 2ª Vara Federal de Palmas, negou e arquivou o pedido feito pela Advocacia Geral da União para desbloquear as rodovias federais interditadas por caminhoneiros no Tocantins. O magistrado alegou que a via processual utilizada pela União foi inadequada. "É mais do que evidente que os demandados não têm qualquer intenção de exercer sobre as rodovias federais poderes inerentes ao domínio e, portanto, não tem e nem intentam posse sobre os bens públicos". Possuidor, explicou, é “todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade”.

Na decisão, Adelmar Aires afirma que a União "não desocupou as rodovias e efetuou a prisão dos ocupantes porque não quis". O juiz diz que "para cumprir seus deveres o Poder Executivo não precisa das 'bênçãos' do Poder Judiciário".  

Nesta quinta, o governo federal firmou um acordo com parte dos representantes dos caminhoneiros. A decisão, porém, não foi unânime e, com isso, assim como acontece no Tocantins, a categoria segue com bloqueio de rodovias em todo o país. Em resposta, o presidente Michel Temer autorizou, nesta sexta, o uso das Forças Armadas para desobstrução das BRs.  


"Quero anunciar um plano de segurança imeadiato para acionar as forças federais de segurança para desbloquear as estradas e estou solicitando aos governadores que façam o mesmo. Não vamos permitir que a população fique sem os gêneros de primeira necessidade, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas e crianças fiquem sem escolas. Quem bloqueia estradas de maneira radical será responsabilizado. O governo tem, como tem sempre, a coragem de dialogar; agora terá coragem de usar sua autoridade em defesa do povo brasileiro", afirmou Temer. 

Em pronunciamento, Temer anuncia uso das Forças Armadas para desobstruir rodovias no país. Foto: Antônio Cruz/ABr

 

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