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Araguaína-TO, segunda, 14 de outubro de 2019
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Estado

Caminhoneiros desbloqueiam rodovias, mas mantêm protesto no TO

28/05/2018 15h36 | Atualizado em: 28/05/2018 20h22

Fotos: Divulgação/Reprodução - Facebook/WhatsApp Categoria decidiu retirar caminhões e objetos que obstruíam estradas, mas continuam de braços cruzados mesmo depois de medidas anunciadas pelo governo federal

REDAÇÃO
REDE TO


Mesmo com as medidas anunciadas pelo presidente Michel Temer, na noite deste domingo, 27, os caminhoneiros continuam de braços cruzados no Tocantins. Não há mais rodovias interditadas no estado, mas a manifestação da categoria, iniciada no último dia 21, continua, agora, com centenas de caminhões parados perto de postos de combustíveis, oficinas mecânicas e fazendas. 

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o protesto segue em 13 trechos de rodovias no Tocantins, mas em nenhum deles, há veículos obstruindo o trânsito ou estacionados no acostamento. Há manifestação de caminhoneiros ou em apoio à causa deles em oito pontos da BR-153: Araguaína (km 152), Nova Olinda (km 208,7), Colinas do Tocantins (km 245), Fortaleza do Tabocão (km 360), Paraíso do Tocantins (km 492), Gurupi (km 674), Alvorada (km 761) e Figueirópolis (km 723). Na BR-010, caminhões estão parados em Silvanópolis (km 306) e em Santa Rosa do Tocantins (km 26). Também há caminhoneiros em greve na BR-235, em Pedro Afonso (km 164, entre a ponte sobre o rio Tocantins e o trevo da cidade), na BR-242, em Taguatinga (km 242), e na TO-080, em Porto Nacional (Luzimangues). 

Acionado pelo governo federal, o Exército informou que, caso seja acionado
 ou identifique alguma necessidade, irá escoltar caminhões que carregam produtos considerados essenciais.

Consequências

Combustíveis

As consequências da paralisação dos caminhoneiros vem se agravando nos últimos dias. A principal delas é a falta de combustíveis. De acordo com o Sindicato dos
 Postos de Combustíveis do Tocantins (Sindiposto), 95% os estabelecimentos estão com os estoques zerados. Depois do corre-corre para abastecer dos primeiros dias de greve, não há mais álcool ou gasolina em nenhum dos 54 postos de Palmas. A situação se repete em Gurupi e em Araguaína. Nesta última, um posto localizado às margens da TO-222 recebeu combustível na manhã desta segunda-feira, 28, e, com isso, uma fila enorme de veículos se formou no local.

Alimentos

Em alguns supermercados da capital e do interior, as prateleiras começam a ficar completamente vazias. Segundo a Central de Abastecimento de Hortifrutigranjeiros (Ceasa), dois caminhões com verduras devem chegar à capital nesta segunda. Os produtos, porém, não irão para o comércio e sim para hospitais públicos de Palmas e Porto Nacional. O objetivo é regularizar o abastecimento de alimentos na rede pública de Saúde. 

A Ceasa informou que estão em falta pelo menos 18 itens, entre ovos, verduras, frutas e legumes, e que, mesmo com o fim da greve, deverá demorar mais de uma semana para regularizar o estoque. 

Transporte 

Depois de receber, no último sábado, 26, 44 mil litros de combustível, transportados em um caminhão escoltado pela PRF de Gurupi e Palmas, o Brigadeiro Lysias Rodrigues, na capital, não consta mais da lista de aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) com problemas de abastecimento.

Diferente do transporte aéreo, o terrestre tem sofrido um impacto maior. Em Palmas, para economizar diesel, a prefeitura reduziu 5% da frota de coletivos e a ordem é economizar os 40 mil litros de combustível que a cidade recebeu para abastecer os veículos. As concessionárias de transporte público de Araguaína e Gurupi também estão operando com menos ônibus nas ruas.

A Garagem Central do Executivo Estadual também recebeu um carregamento de 40 mil litros de combustível. O governo do estado afirma que, neste momento, a prioridade é abastecer veículos de órgãos e instituições que prestam serviços essenciais como hospitais, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. No caso dos municípios, as ambulâncias, principalmente as do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), tem preferência na hora de abastecer. 

A Prefeitura de Palmas declarou que o transporte escolar não foi suspenso, diferente do que aconteceu em Araguaína, onde o município já informou a interrupção do serviço. 


Órgãos públicos

As prefeituras de Palmas, Araguaína e Gurupi anunciaram mudanças no horário de atendimento dos órgãos que integram os executivos municipais. O período de funcionamento de unidades e centros de saúde foi reduzido nas três cidades. Já o governo do estado, que adota carga horária diária de seis horas, solicitou aos servidores adotem um sistema de caronas entre si para que, assim, o atendimento ao público não seja interrompido por falta de profissionais. No caso dos funcionários de hospitais, o estado garantiu que irá disponibilizar veículos para que eles possam ir ao trabalho. 

Também houve mudança no horário de atendimento do Judiciário tocantinense. Conforme decreto publicado, nesta segunda, no Diário da Justiça, o atendimento ao público nos dias 29 e 30 será de 12h às 18h. Conforme o Tribunal de Justiça (TJ), a
 "medida tornou-se necessária devido a dificuldade no deslocamento diário dos servidores, advogados e jurisdicionados aos órgãos do Poder Judiciário do Estado do Tocantins, em consequência da falta de combustível causada pelo movimento dos caminhoneiros".

Já a Justiça Federal cancelou o expediente desta segunda, cancelando os prazos processuais. De acordo com a Seção Judiciária do Tocantins, serão mantidas a apreciação de ações, procedimentos e medidas de urgência, as perícias e audiências já designadas, caso haja possibilidade de comparecimento das partes e advogados.

O Ministério Público Estadual também mudou o expediente, mantendo o horário normal de funcionamento apenas para serviços essenciais, como manifestações em processos de réu preso, audiências, licitações e serviços considerados urgentes.

Educação

A paralisação dos caminhoneiros também afeta a Educação. Com alunos, professores e outros funcionários sem conseguir sair de casa, universidades, faculdades e escolas suspenderam as aulas na capital e no interior. 


Por causa do protesto, a Ordem dos Advogados do Brasil cancelou a aplicação da segunda fase do exame da OAB que aconteceria, no domingo, 27, em Palmas, Araguaína e Gurupi. Já a Universidade Federal do Tocantins (UFT) suspendeu as provas do vestibular de Educação do Campo de Arraias, do extravestibular e do concurso para professor marcadas para o último fim de semana. 

Coleta de lixo

Segundo a Prefeitura de Araguaína, o serviço de coleta de lixo funcionará parcialmente, atendendo apenas a pontos prioritários, como o Mercado Municipal, feiras livres e hospitais. "Será imprescindível a colaboração da comunidade no sentido de não colocar o lixo nas calçadas até que o serviço seja normalizado", informou o município. 


Em Palmas, a prefeitura garantiu que a coleta continua sendo realizada normalmente, uma vez que os caminhões que realizam o serviços foram abastecidos. 

Calamidade 

Em razão da falta de combustível, a Prefeitura de Talismã, na região sul do Tocantins, decretou, nesta segunda, estado de calamidade pública. O município suspendeu, a partir desta terça, 29, as aulas da rede municipal, o transporte escolar e a realização de obras que necessitem de maquinário.  

De acordo com a prefeitura, os serviços da secretaria municipal de Saúde, especialmente os de urgência e emergência, e recolhimento de lixo, não serão paralisados. Os veículos oficiais, com exceção das ambulâncias e dos caminhões de lixo, só poderão circular em caso de "extrema urgência". 


Com o decreto, a Prefeitura de Talismã autorizou a aquisição de combustível sem licitação caso o fornecedor contrato se negue a abastecer a frota do município. 

Fiscalização

O Ministério Público Estadual diz que vem atuando junto com o Procon para coibir o aumento abusivo no preço de produtos e serviços no Tocantins. Há recomendações do MPE orientando empresários e comerciantes a não reajustar o valor de produtos essenciais como combustível e gás de cozinha. Quatro postos, três em Araguaína e um em Almas, e uma revenda de gás em Palmas foram autuados por causa de aumentos considerados exorbitantes. 


Apoio

Apesar dos transtornos causados pela greve, muitos tocantinenses têm ido às ruas para manifestar apoio aos caminhoneiros. Nesta segunda, milhares de pessoas participaram de atos em solidariedade à categoria em Araguaína, Colinas do Tocantins, Palmas, Porto Nacional e outras cidades do Tocantins. 

Os protestos são contra os aumentos frequentes dos combustíveis, maior bandeira levantada pelos caminhoneiros, mas há no meio deles pessoas que pedem a renúncia do presidente Temer, o fim da corrupção e a redução de impostos. Há ainda radicais que fazem um apelo às Forças Armadas para que tomem o poder, instaurando uma ditadura militar no país. 


Em Araguaína, milhares de pessoas participaram de ato em apoio aos caminhoneiros. (Foto: Reprodução/WhatsApp)


Eleições

O Tribunal Regional Eleitoral afirmou, nesta segunda, que as eleições suplementares para governador e vice-governador marcadas para o dia 3 de junho estão mantidas, mesmo com a paralisação dos caminhoneiros. O TRE descartou qualquer possibilidade de cancelamento ou adiamento do pleito. 

Segundo o tribunal, as urnas já foram encaminhadas para as zonas eleitorais e nesta terça, ocorrerá a cerimônia de lacração dos equipamentos. O TRE diz que 80% dos eleitores tocantinenses votam perto de casa e, por isso, a greve não deve afetar as eleições do dia 3. 

A partir desta terça, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo conduto. A determinação vale até 48 horas depois da eleição.


 

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