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Araguaína-TO, quarta, 19 de junho de 2019
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Estado

Justiça apura irregularidades na liberação de emendas no Tocantins

14/06/2018 15h32 | Atualizado em: 18/06/2018 16h59

Foto 1: Reprodução/WhatsApp; Foto 2: Divulgação/Lia Mara; Foto 3: Divulgação/Márcio Vieira; Foto 4: Divulgação Agentes da Polícia Federal cumprem mandados de busca e apreensão na secretaria de Infraestrutura; eles também estiveram na secretaria da Fazenda, Redesat e Palácio Araguaia

REDAÇÃO
REDE TO

 

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 14, a segunda etapa de uma operação que investiga irregularidades na liberação de emendas parlamentares pelo estado em troca de apoio político na eleição suplementar para o governador interino Mauro Carlesse (PHS), da coligação "Governo de Atitude". As denúncias foram feitas pelo adversário de Carlesse no 2º turno do pleito, o senador Vicentinho Alves (PR), da coligação "A Vez dos Tocantinenses". 

Cerca de 50 agentes, divididos em 10 equipes, cumpriram mandados de busca e apreensão no Palácio Araguaia, na Fundação Radiodifusão Educativa (Redesat) e nas secretarias estaduais de Infraestrutura e da Fazenda. Os mandados foram expedidos pela desembargadora Ângela Prudente, que afirma, em sua decisão, que a sede do Poder Executivo se tornou uma "espécie de comitê eleitoral", com reuniões políticas anunciando "apoio de prefeitos e lideranças" à candidatura de Carlesse. 

Compra de apoio

As buscas foram determinadas por Prudente no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), proposta pelo Ministério Público, que tem o governador interino como alvo. Em maio, durante a primeira fase da operação, a PF apreendeu 162 processos relacionados a emendas, todos abertos entre abril e maio deste ano com previsão de gastos de R$ 18,6 milhões. Destes, 37, a maioria envolvendo a realização de shows e eventos culturais, já tinham sido empenhados, ou seja, encaminhados para pagamento. 

Para o Ministério Público Eleitoral, Mauro Carlesse vem usando a máquina pública para obter vantagens eleitorais. Além de comprar apoio político com a liberação de emendas, o governador interino, segundo o MPE, também estaria usando servidores públicos da Redesat, que reúne as emissoras de TV e rádio do governo do estado, para atuar na campanha. O órgão de fiscalização aponta que o material usado pelo candidato do PHS está sendo custeado com dinheiro público, uma vez que a equipe responsável pelos conteúdos de rádio de Carlesse é formada por funcionários da Redesat.

O Ministério Público também afirma que Carlesse estaria privilegiando repasses do Fundo Estadual de Saúde para municípios administrados por prefeitos aliados. 

Relatório

A desembargador Ângela Prudente considerou graves os fatos elencados na ação de investigação eleitoral e determinou, além das buscas em órgãos públicos, a apresentação, pelo governo, de um relatório contendo todos os pagamentos e transferências feitos pelo estado desde a posse de Carlesse. Prudente ordenou ainda que a Polícia Federal tenha acesso irrestrito aos sistemas de pagamento. Carlesse pode ser multado em R$ 100 mil caso descumpra a decisão judicial. 

Assembleia

Inicialmente, alguns veículos da imprensa local noticiaram que a PF tinha cumprido mandados nesta quinta, na Assembleia Legislativa. Em nota, o diretor de comunicação, Sebastião Vieira Melo, negou a informação. "Ao contrário do que foi informado por alguns veículos de comunicação, a Polícia Federal não realizou – até o momento – nenhuma busca na Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins", disse Vieira em uma nota encaminhada à REDE TO

"Ao reafirmar seu compromisso com a transparência de todos os seus atos, a presidente interina da Casa, Luana Ribeiro, determinou às chefias de todos os departamentos desta Casa de Leis que prestem todas as informações, eventualmente solicitadas pela Justiça, Polícia Federal e demais órgãos de controle", completou o diretor. 

Carlesse se defende

Em nota, a Secretaria de Estado da Comunicação Social (Secom) informou que o Governo do Estado está colaborando com o trabalho da Polícia Federal e que todas as informações solicitadas foram prestadas com clareza.

O governador interino Mauro Carlesse declarou que tem cumprido a decisão judicial que proíbe o governo do estado de realizar pagamentos de convênios, inclusive de emendas parlamentares. Ele lamentou que Vicentinho "prossiga realizando denúncias apenas para tumultuar o processo eleitoral, por já saber da derrota que acontecerá no próximo dia 24". 

Segundo Carlesse, Vicentinho pensa apenas em seu "projeto de poder" e "não se preocupa com as dificuldades que a população tem passado". “O povo sabe que toda eleição eles fazem a mesma coisa. É o denuncismo, o desespero com medo de perder a eleição e de ficar de fora do poder. O problema que é o povo fica prejudicado”, enfatizou. 

Carlesse disse ainda que por causa da proibição da Justiça, o governo não poderá direcionar recursos para a temporada de praias deste ano. “É uma pena que a eleição possa atrapalhar a vida dessas pessoas. Porque é a eleição que está fora de época e não a temporada de praia. São muitos os municípios que precisam do apoio do Governo para fazer os investimentos que vão aquecer a economia e gerar emprego e renda para os tocantinenses. Infelizmente, a politicagem está impedindo que isso aconteça”, encerrou. 

Vicentinho

Ao comentar a segunda etapa da operação da PF realizada nesta quinta, Vicentinho voltou a acusar Carlesse de cometer crimes eleitorais. "A Polícia Federal não gasta gasolina à toa. Este desdobramento mostra as atitudes irresponsáveis, graves e de afronta a legislação eleitoral cometidas pelo governador interino", comentou o senador. 


 

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