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Araguaína-TO, sábado, 17 de agosto de 2019
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Estado

Superlotada, unidade prisional em Paraíso enfrenta surto de sarna

CPP da cidade tem capacidade para 54 presos, mas conta, hoje, com 318

21/06/2018 11h19 | Atualizado em: 25/06/2018 15h51

Fotos: Divulgação/Loise Maria Casa de Prisão Provisória (CPP) de Paraíso do Tocantins enfrenta surto de sarna

A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) identificou uma epidemia de escabiose (sarna) na Casa de Prisão Provisória (CPP) de Paraíso do Tocantins, na região centro-oeste do estado. Uma inspeção foi realizada nesta quinta-feira, 21, pelo defensor público Arthur Luiz Pádua Marques, coordenador do Núcleo Especializado de Defesa da Saúde (Nusa), e pela defensora pública Letícia Amorim, da 5ª Defensoria Pública de Paraíso. O levantamento realizado por eles na CPP aponta que 79,8% dos presos estão com os sintomas da doença infecciosa e transmissível.

A Casa de Prisão Provisória de Paraíso do Tocantins tem capacidade para 54 presos, mas conta, atualmente, com 318. Uma das celas, que deveria comportar sete homens, abriga atualmente 31. Com o problema da superlotação, o surto torna-se ainda mais preocupante, correndo o risco de atingir toda a população carcerária. Os Defensores Públicos identificaram 254 presos com os sintomas da escabiose.

“Levaram alguns presos para tomar medicação tem uns 15 dias, mas aí colocaram de volta na cela em contato com os outros, e pegaram a zica de novo”, denunciou um dos reeducandos. Ele e outros detentos disseram que não há atendimento médico especializado ou cuidado especial para evitar que o problema se alastre.

Uma das preocupações dos defensores públicos é que o problema se espalhe para a sociedade, visto que os reeducandos recebem visitas, semanalmente, com contato direto e até visitas íntimas.

Reunião

Logo após a vistoria, os defensores públicos convocaram uma reunião de emergência sobre o assunto. Participaram representantes da diretoria da CPP Paraíso, da Secretaria Estadual e Municipal de Saúde, Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Paraíso do Tocantins, assistentes sociais e enfermeiros que atuam diretamente na Casa de Prisão Provisória.

Foi relatado pela equipe de Enfermagem que o primeiro diagnóstico foi detectado há cerca de 15 dias. Porém, de acordo com a defensora pública Letícia Amorim, a equipe de assistência social da Defensoria Pública já havia alertado sobre possíveis casos na CPP de Paraíso há mais de um mês. “As providências já deveriam ter sido tomadas há tempos para evitar que o surto se alastre”, disse. Segundo a equipe de assistência social da Defensoria Pública de Paraíso, há registros de parentes e até crianças que visitaram recentemente o presídio e podem estar com a doença. “Todos estão sujeitos à contaminação, sejam os familiares, os agentes prisionais e até a equipe da Defensoria que realiza frequentemente atendimento no local”, relatou.

Na reunião, a equipe das secretarias estadual e municipal de saúde relataram dificuldades burocráticas para a disponibilização das medicações, haja visto que é exigido pelo município o Cartão SUS dos presos e, na maioria dos casos, os presos não têm o cartão. “A burocracia do serviço público não pode sobrepor as necessidades de saúde dos presos. Há muitos presos que não têm identidade e CPF, que utilizam nomes falsos e, além disso, a própria condição de aprisionado dificulta a confecção dos cartões, devendo os entes responsáveis entregar a medicação e depois lançar no sistema, após a confecção de todos os cartões SUS dos detentos”, orientou Arthur Pádua.

Recomendação

A Defensoria Pública do Estado do Tocantins, por intermédio Nusa, apresentou recomendação ao Estado do Tocantins assinada pelos defensores públicos que realizaram a inspeção. O documento é direcionado ao secretário estadual de Saúde, Renato Jayme da Silva, e à secretária municipal de Saúde de Paraíso, Rosirene Gomes Leal, e estipula o prazo de cinco dias úteis para providências.

A Recomendação solicita a disponibilização imediata de todos os medicamentos prescritos aos presos que estão com sarna, independente da entrega de numero de cartões SUS, ou outros documentos, garantindo a medicação de forma imediata e de acordo com a prescrição médica; o envio imediato de equipe da vigilância sanitária e vigilância em saúde prisional, a fim de diagnosticar possível surto na unidade prisional e adotar todas as providências no sentido de dedetizar a unidade prisional ou adotar outros meios que estanque o surto alastrado por todo o presídio; monitoramento efetivo com quadro de profissionais de saúde e da vigilância sanitária na unidade prisional, identificando assim qualquer espécie de patologia e garantindo o tratamento aos pacientes; o envio de equipe para adotar todas as medidas necessárias a fim de regularizar toda a documentação dos presos, seja RG, CPF, Cartão SUS ou outros documentos necessários a identificação; dentre outras providências.

Doença

A escabiose, conhecida popularmente por sarna humana ou pereba, é uma doença de pele causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. A sarna é uma infecção contagiosa, que pode se espalhar rapidamente através de contato físico próximo. A doença é altamente contagiosa, principalmente a partir de roupas contaminadas. (Com Ascom/DPE-TO)

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Em nota enviada à REDE TO, a Prefeitura de Paraíso do Tocantins informou as providências que serão tomadas pela secretaria municipal de Saúde, entre elas a realização de borrifação residual na CPP, a testagem rápida para HIV e o tratamento de verminoses com a administração de medicamentos. 

De acordo com a prefeitura, a unidade prisional "é um ambiente insalubre, possui uma estrutura física inadequada, e o que agrava a situação é a superlotação, pois a capacidade local é para 54 presos e hoje abriga 318". 

"Além dessas ações de caráter emergencial, a Saúde Municipal presta Assistência com a Equipe da Estratégia Saúde da Família composta por médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, quinzenalmente conforme cronograma acordado entre a CPP e a Secretaria Municipal de Saúde", finalizou a nota. 


 

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