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Araguaína-TO, quinta, 23 de maio de 2019
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Polícia apreende fuzis com amigo do suspeito de assassinar Marielle

12/03/2019 22h38 | Atualizado em: 12/03/2019 23h11

Foto 1: Divulgação; Foto 2: Agência Brasil; Foto 3: Reprodução 117 fuzis incompletos apreendidos nesta terça no bairro do Méier, na casa de um amigo do PM reformado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes

Além dos dois suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, há quase um ano no centro do Rio, um homem identificado como Alexandre Motta está detido na Delegacia de Homicídios. Ele foi preso em flagrante na Operação Lume, deflagrada nesta terça-feira (12), após terem sido encontradas em sua casa caixas com grande quantidade de armamento, incluindo peças para montar 117 fuzis do tipo M-16.

117 fuzis incompletos apreendidos nesta terça no bairro do Méier, na casa de um amigo do PM reformado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, no dia 14 de março de 2018.

O advogado Leonardo da Luz, responsável pela defesa de Alexandre, disse que este não sabia o que havia dentro das caixas, que teriam sido mantidas lacradas. "Ele é amigo do [Ronnie] Lessa há anos e apenas lhe fez o favor de armazenar essa encomenda em seu apartamento. Ele não sabia do que se tratava. E foi uma surpresa para ele ver o que se encontrava dentro das caixas. Ele não tem nada a ver com esse episódio lamentável envolvendo a vereadora."

O policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, que foi expulso da corporação, foram presos preventivamente na Operação Lume. Eles foram apontados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como participantes do assassinato de Marielle e Anderson. Lessa foi acusado de ser autor dos disparos e Élcio, de conduzir o veículo de onde partiram os tiros que atingiram a vereadora e o motorista.

A operação em que Lessa e Élcio foram presos ocorreu dois dias antes de o crime completar um ano. Além dos dois mandados de prisão, foram cumpridas 32 ordens de busca e apreensão, uma das quais no imóvel de Alexandre, na zona norte do Rio. "Ele me abraçou e chorou. Está impressionado e não sabe o que está fazendo aqui. De repente, ele está se vendo no meio dessa turbulência", disse o advogado.

Segundo Leonardo da Luz, Alexandre confiava em Lessa devido à relação de amizade entre ambos. "O Alexandre cuida do irmão dele [Lessa]. No caso, Alexandre tem a guarda do irmão dele, que tem uma deficiência mental infantil. Inclusive é pensionista do Estado", acrescentou .

Com a prisão foi em flagrante, Alexandre deve ser ouvido em 24 horas em uma audiência de custódia, onde o juiz avaliará se há necessidade de mantê-lo detido. A defesa vai pedir sua soltura, alegando que ele não tem antecedentes criminais, tem residência fixa e está trabalhando.

No caso de Lessa e Élcio, ainda não há informação sobre uma possível transferência para alguma unidade penitenciária. Segundo a defesa dos dois, eles dormem nesta terça-feira na Delegacia de Homicídios. De acordo com os advogados, o delegado deverá colher os depoimentos nesta quarta-feira (13). Os advogados negam que os clientes tenham se recusado a falar e afirmam que ainda não tiveram acesso à denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro e ao registro de ocorrência das prisões.

Além das peças para montagem de 117 fuzis, com exceção dos canos, os agentes da Delegacia de Homicídios da Capital apreenderam 500 munições e três silenciadores, além de R$112 mil em dinheiro.

A Secretaria de Estado da Polícia Civil, informou ainda que foram encontrados R$ 50 mil na casa dos pais do policial reformado Ronnie Lessa e R$ 62 mil dentro do carro dele.

A Polícia Civil informou ainda que as apreensões fazem parte da Operação Lume, que cumpriu dois mandados de prisão contra o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, expulso da corporação; e 34 de busca e apreensão, resultado das investigações que apura a morte da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes.

Motivação ainda não esclarecida

A prisão dos dois suspeitos pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes aliviou, um pouco, a dor das famílias de ambos. Durante entrevista coletiva no Ministério Público (MP), nesta terça, eles disseram que vão ficar mais tranquilos, mas ainda querem saber o que motivou os assassinatos.

“Com a prisão dos dois suspeitos, diminui um pouco a nossa angústia. A minha, principalmente, porque eu ficava imaginando que nunca iam conseguir chegar a um motivo, por menor que fosse, para que tivesse acontecido os assassinatos da Marielle e do Anderson. Eu sempre me perguntava o que Marielle fez para merecer tamanha injustiça. Se ela era defensora dos direitos humanos, ela não estava cometendo nenhum crime. Eu não conseguia mensurar nenhum fato, nenhum motivo, para que ela tivesse sido assassinada”, disse o pai da vereadora, Antônio Francisco da Silva.

A irmã dela, Anielle Franco, disse que a dor pela perda continua afetando a todos. “É óbvio que é importante saber quem mandou matar, mas hoje foi um passo grande. A gente espera descobrir de fato se tem mandante. Vou dormir mais tranquila no dia em que a gente tiver a família junta de novo. Até lá, é um vazio, uma dor, que não tem como. A gente segue por ela [Marielle], mas dói muito”, desabafou.

Também presente à coletiva, a viúva de Anderson, Ághata Reis, reconheceu que o caso foi um marco no Rio de Janeiro. “O que aconteceu foi muito maior do que a gente poderia imaginar. É realmente um divisor de águas. A prisão desses dois é só um começo, um pontapé. Tem muita coisa ainda para ser descoberta, para que a gente ponha um ponto final no nosso sofrimento. Queremos descobrir o mais rápido se houve um mandante”, disse Ághata.

A pormotora Simone Sibílio disse que, até o momento, as investigações mostram que o crime pode ter sido motivado pela repulsa de Ronnie às causas que eram defendidas por Marielle, o que também é conhecido como crimes de ódio. 

 

Da Agência Brasil

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