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Araguaína-TO, Saturday, 13 de August de 2022
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Sindepol diz que não teve acesso aos autos sobre operação da PF

Sindicato disse que o fato causou "estranheza", já que imagens, dados e nomes foram vazados para a imprensa. Operação da PF investiga suposto grupo de extermínio dentro da Polícia Civil do Tocantins.

24/06/2022 11h47

Divulgação/Polícia Federal
REDAÇÃO
REDETO

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Tocantins (Sindepol/TO) se pronunciou nesta sexta-feira (24), por meio de nota de esclarecimento, sobre a "Operação Caninana", deflagrada pela Polícia Federal (PF), na última quarta-feira, para investigar um possível grupo de extermínio dentro da Polícia Civil do estado.

Na nota o Sindepol afirma que está "acompanhando todos os trâmites jurídico-procedimentais da investigação, colocando a plena disposição dos filiados toda a estrutura de apoio jurídico da Entidade" e disse que ainda não teve acesso à íntegra do procedimento.

O sindicato citou que o fato de não ter tido acesso ao procedimento causou "estranheza", já que órgãos da imprensa divulgaram "informações sensíveis da investigação, expondo dados, nomes e imagens que podem comprometer a segurança individual e o próprio estado de inocência garantido constitucionalmente a todos os cidadãos.

A nota assinada pelo delegado Bruno Azevedo, presidente do Sindepol, finaliza dizendo que "diante da impossibilidade de análise mais densa das imputações supostamente individualizadas pela Polícia Federal, em virtude da total ausência de acesso aos autos, esta Entidade reitera a necessidade de observância plena dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição da República e informa que buscará todas as medidas legais para que os filiados citados na operação tenham os seus direitos respeitados por meio de um procedimento hígido, transparente e responsável.

A Operação Caninana

Os agentes federais cumpriram mandados de busca em dez endereços na última quarta-feira (22). A PF esteve na sede da Denarc e a Corregedoria-geral da Polícia Civil acompanha a operação. Quatorze medidas cautelares diversas da prisão, dentre as quais a suspensão da função pública dos investigados, também foram autorizadas.

As investigações da Polícia Federal apontaram que os policiais civis tinham um grupo em um aplicativo de mensagens onde monitoravam a saída de pessoas recém egressas do sistema prisional e as executavam de forma planejada. O grupo teria sido responsável por até duas dezenas de assassinatos praticados entre 2019 e 2020 no estado.

Um dos casos investigados pela PF aconteceu no dia 27/03/2020, quando cinco pessoas foram mortas com indícios de execução nos bairros de União Sul e Jardim Aureny I.

A Justiça decretou a prisão de cinco agentes da Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) de Palmas, investigados por supostamente integrarem o grupo de extermínio dentro da Polícia Civil do Tocantins. As prisões preventivas foram decretadas pelo colegiado de juízes do Tribunal de Justiça do Tocantins.

A Polícia Federal chegou a pedir a prisão temporária de dois delegados da Polícia Civil, mas a Justiça negou.

Indícios de grupo de extermínio

A PF disse que encontrou indícios de um grupo de extermínio dentro da Polícia Civil do Tocantins durante as operações que levaram à renúncia do ex-governador Mauro Carlesse. O ex-governador não é investigado nesta operação.

As investigações apontaram que membros da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública monitoravam investigações e cumpriam ordens do ex-governador. Essa nova operação se originou quando as investigações sobre as mortes foram desmembradas.

Policiais investigados

Os cinco policiais alvos dos mandados de prisão preventiva se apresentaram espontaneamente, segundo o advogado de defesa, Antônio Ianowich.

A audiência de custódia dos cinco policiais civis aconteceria nesta quinta-feira (23), mas acabou sendo adiada. Segundo o Tribunal de Justiça a audiência não aconteceu porque os quatro agentes presos no estado foram levados para o presídio de Cariri do Tocantins, no sul do estado, e a sessão deve acontecer nesta sexta-feira de forma presencial.

 
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