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Araguaína-TO, segunda, 02 de agosto de 2021
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Opinando

Facção criminosa aterroriza Palmas queimando ônibus coletivos e fazendo ameaças

Ataques podem ter sido ordenados por presos pertencentes a facção criminosa que atua nos presídios do Tocantins desde 2013

01/03/2015 18h27 | Atualizado em: 02/03/2015 19h02

Divulgação Bombeiros combatem incêndio a ônibus coletivo, na Quadra 407 Norte: ordem para o ataque pode ter partido de dentro de presídios

O que os presos da Casa de Prisão Provisória de Palmas tem a ver com a onda de ataques contra ônibus coletivos na capital? Uma carta (foto ao lado) entregue ao motorista de um dos veículos mostra que detentos da CPP estariam por trás dos recentes episódios de violência envolvendo o transporte público na capital tocantinense. “Hoje foi um ônibus, amanhã pode ser um quartel, uma delegacia ou uma de suas viaturas”, diz o documento assinado por uma facção criminosa que atua na unidade prisional e que tem raízes no Rio de Janeiro.

Em menos de 24 horas, dois ônibus foram incendiados, em Palmas, e um terceiro metralhado. Os ataques ocorreram na avenida LO, na Quadra 407 Norte, e na TO-050, próximo ao setor Jardim Aureny IV. O método usado pelos criminosos foi o mesmo: durante a madrugada, um deles finge que é passageiro, pede o ônibus para parar e, depois, expulsa todo mundo do veículo. Em seguida, outros bandidos aparecem, o grupo espalha gasolina nos coletivos e atea fogo nos veículos.

Não é protesto. Não é só vandalismo. É o crime organizado mostrando que mesmo longe dos grandes centros, tem força para amedrontar, fazer a sociedade refém das suas deliquências. Como toda grande organização criminosa, esta que, agora, aterroriza os tocantinenses, tem uma estrutura invejável. Seu poder de fogo deixa o da polícia no chinelo. É uma rede interligada, que conta com o apoio de autoridades corruptas e que se beneficia da ineficiência do Estado. É um grupo poderoso, chefiado por criminosos perigosos, que querem fazer valer os seus interesses a todo custo. Seus representantes e membros estão dentro e fora dos presídios.

A facção carioca se instalou nos presídios tocantinenses, em 2013. Os líderes do grupo no estado cumprem pena no Barra da Grota, em Araguaína, mas há representantes nas principais unidades prisionais do Tocantins, como é o caso da CPP de Palmas. Conforme o teor da carta assinada pelos criminosos, a organização resolveu atacar os ônibus para exigir a retomada de alguns benefícios nos presídios, como a visita de familiares e o banho de sol. Devido a greve da Polícia Civil (PC), deflagrada na última quarta-feira, 25, os serviços deixaram de ser realizados.

Em Palmas, o clima é de medo e tensão. E não é para menos: até agora, nenhum dos envolvidos nos ataques foi preso. A paralisação dos policiais civis ainda não tem data para acabar. Ninguém sabe quando e onde ocorrerá o próximo atentado. A insegurança, porém, é tão grande que é difícil acreditar que a facção esteja disposta a dar uma trégua. “É só o começo, se não quiser ver seu estado em chamas, dê a atenção e o devido respeito a nossa organização”, ameaça, na carta, os criminosos.

Por DANIEL LÉLIS
Editor-chefe da REDE TO
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