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Araguaína-TO, segunda, 27 de setembro de 2021
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Estado

MP investiga médicos por faltarem a plantões no HGP

16/06/2021 22h58 | Atualizado em: 17/06/2021 23h04

Divulgação MPTO vistoriou hospitais de Palmas e constatou o descumprimento da carga horária por médicos

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) realizou vistorias no Hospital Geral de Palmas (HGP) e no Hospital e Maternidade Dona Regina, de Palmas, nesta terça-feira, 15, a fim de apurar denúncia de irregularidade quanto ao cumprimento da carga horária de trabalho por profissionais médicos.

No período da manhã, o promotor de Justiça Thiago Ribeiro Franco Vilela esteve no HGP apurando a situação de pacientes acomodados em macas instaladas nos corredores da unidade, o que foi confirmado logo no início da vistoria, que teve como foco as áreas da oncologia e neurologia.

Servidores e profissionais médicos relataram a ausência de insumos básicos como lençóis, esparadrapos, luvas, capotes, cadeira de rodas, instrumentos cirúrgicos e medicamentos. Outra reclamação foi a falta de profissionais para atender à demanda. Havia apenas uma fisioterapeuta plantonista para acompanhar todos os pacientes da ortopedia no período da manhã.

Acerca das denúncias do não cumprimento da carga horária de trabalho por parte de alguns profissionais, o promotor de Justiça conferiu a lista de plantonistas do dia e constatou que quatro médicos não estavam na unidade hospitalar, embora seus nomes constassem na escala do dia. Os casos serão apurados individualmente pela 19ª Promotoria de Justiça da Capital.

Por fim, diversos servidores relataram falta de segurança dentro do HGP. As entradas do hospital contam com recepcionistas, mas não há profissionais de segurança. Um recepcionista está afastado para tratar de ferimentos causados por uma agressão sofrida na última semana, enquanto tentava impedir a entrada de um acompanhante. O fato também será apurado pelo promotor de Justiça.

Dona Regina

Já no Hospital e Maternidade Dona Regina, o promotor de Justiça percorreu os setores com a escala do plantão médico em mãos e verificou que um servidor não estava presente no plantão, sem que houvesse comunicado e justificado sua ausência à direção-geral. Um procedimento será instaurado para investigar o fato.

Na vistoria, o promotor de Justiça verificou também aspectos gerais de funcionamento do Hospital e Maternidade, conversando com profissionais e pacientes. Grande parte dos problemas verificados decorrem da deficiência estrutural da sede do Hospital, como a extrema precariedade das salas de repouso dos servidores e a insuficiência de espaço do posto de enfermagem, onde profissionais precisam se aglomerar durante o serviço e onde falta lugar adequado para o manejo de medicamentos. Em todos os setores, foram ouvidas reclamações quanto à estrutura da unidade.

Na vistoria no Hospital e Maternidade Dona Regina, servidores também se queixaram quanto à indisponibilidade de instrumentos básicos, sendo relatada a insuficiência de aparelhos de verificação de pressão arterial, de sonares e de amniótomos (conhecido como “rompedor de bolsa”), bem como a precariedade de termômetros e bombas de infusão.

Na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), que está passando por ampliação da quantidade de leitos, foram relatadas necessidades mais urgentes, como a ligação de todos os leitos à rede de oxigênio, ausência de berço, incubadora e equipamento de fototerapia, bem como a insuficiência de equipamentos básicos, como ambu (reanimador manual) e manômetros (que regulam a pressão contida nos cilindros de oxigênio). (Da Ascom/MPTO)

Resposta da SES

A Secretaria de Estado da Saúde enviou à REDE TO a nota abaixo com a sua versão dos fatos apontados pelo MP depois da vistoria:

"- A Unidade hospitalar (HGP) é de alta complexidade, “porta aberta”, referência Estadual e para Estados limítrofes, ou seja, que recebe pacientes do SUS encaminhados e de livre demanda do Tocantins e demais entes da federação, para atendimentos de urgências e emergências, principalmente traumatismos, sendo único hospital de urgência público do município de Palmas. Naturalmente, está operando com alta demanda.

- Sobre os profissionais que atuam na Unidade, a SES esclarece que o HGP possui cerca de 2.800 servidores diretos e milhares de indiretos, e que para melhor controle de entradas e saídas é necessário equipamento de reconhecimento digital ou facial, que já temos processo de aquisição em andamento para instalação. Ressaltamos que será investigado, pela direção do hospital, a ausência dos profissionais apontados na vistoria. Todas as condutas necessárias nesse caso, como a aplicação da falta e processos administrativos em relação a esses servidores, serão adotadas.

- A SES reforça que o não comparecimento ao local de trabalho, sem as devidas justificativas devem ser comunicados aos superiores hierárquicos, que são obrigados a tomar as medidas cabíveis na legislação estadual - Estatuto dos Servidores e demais legislações pertinentes.

- As faltas de medicamentos e insumos na Unidade são pontuais e rapidamente sanadas. Em alguns casos a demora ocorre devido às dificuldades de compra durante a pandemia do novo Coronavírus, que tornou os produtos hospitalares escassos no cenário mundial, mesmo ante ao amplo planejamento de compras feitos pela SES. Alguns produtos não estão disponíveis no mercado, sendo de conhecimento de todos os esforços das gestões Estaduais, como também, Federal, visando a aquisição de fármacos e insumos, disponibilizando-os para população.

- Quanto à falta de lençóis citada por uma servidora, na ocasião da vistoria, a Direção Multiprofissional, que acompanhava a inspeção, explicou para o Promotor de justiça, como também para a servidora, os procedimentos e condutas a serem adotada, uma vez que a Unidade conta com a empresa terceirizada da lavanderia. Faltas como estas não devem ocorrer, sendo obrigação dos servidores saber os trâmites a serem adotados em tais circunstâncias, esclarecendo as possíveis intercorrências.

- Em relação à falta de instrumentos cirúrgicos, a Direção da Unidade explicou que mantém empresa terceirizada na Central de Material e Esterilização (CME), que já fez a reposição de alguns itens e está providenciando a compra de todos os instrumentais cirúrgicos que a Unidade necessita. O prazo de entrega ocorrerá no final do mês de junho.

- A SES reitera que não procede a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) - capote e máscara NK95 – visto que esses insumos são usados apenas pelos profissionais que estão na linha de frente de combate a Covid-19, que tem contato direto com pacientes que possuem doenças infectocontagiosas. A SES já divulgou amplamente tal regra a todos os servidores da Unidade. Quanto ao quadro profissional de fisioterapeutas, encontra-se completo.

- A SES ressalta que contamos com a quantidade de médicos suficientes no Hospital nas mais diversas especialidades. Nas trocas de plantões é natural que tenha uma sobrecarga de determinada área. Devido à pandemia aumentamos a oferta de profissionais, mas também a rotatividade de desligamentos dos mesmos servidores foi sensivelmente majorada, dentro dos princípios da lei da oferta e da procura; logicamente, estes profissionais estão buscando outros locais para exercer suas atividades. Por tal razão, a SES mantém os processos de contratações de profissionais abertos no intuito de suprir as emergentes necessidades.

- No que se refere à segurança, a SES vem trabalhando para a contratação de uma empresa especializada. O processo licitatório já foi iniciado e está em fase de conclusão. A empresa vencedora do certame, vai assumir a vigilância do HGP, como também as demais unidades hospitalares, sob a responsabilidade do governo estadual.

Por fim, a SES esclarece que o HGP está passando por reformas e ampliações, obra que foi iniciada há anos, enfatizando que a gestão prioriza entregar melhorias à população. Assim sendo, os pacientes estão sendo atendidos em outros ambientes improvisados, entretanto, por um curto período de tempo.

A SES lamenta os transtornos e garante que não está medindo esforços para minimizar os impactos, sendo rotina na Unidade hospitalar, transferir, de forma imediata, os pacientes para as novas alas liberadas pela Construtora."


 

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