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Araguaína-TO, Thursday, 11 de August de 2022
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Estado

PF investiga Carlesse por suposta corrupção no Jalapão

31/01/2022 10h02 | Atualizado em: 01/02/2022 11h45

Divulgação/Governo do TO
REDAÇÃO
REDETO

Um dos pontos turísticos preferidos dos amantes do ecoturismo, o Jalapão passou a fazer parte como protagonista da investigação da Polícia Federal (PF) que levou ao afastamento do governador Mauro Carlesse (PSL) em outubro do ano passado.

A suspeita da PF é que o grupo criminoso que seria liderado por Carlesse tinha interesse na compra de terrenos localizados no entorno do Jalapão e que serviriam para lavar dinheiro de esquemas de corrupção dentro do governo estadual.

As investigações já apontaram que uma propriedade de 1.399 hectares, no município de Mateiros, foi comprada em 20 de julho de 2021 por uma pessoa que é apontada como laranja do governador e teria custado R$ 2 milhões. As informações são do jornal Extra.

A transação foi feita por meio de uma empresa da qual o governador era o dono e que estava sob responsabilidade de um aliado. As provas reunidas pela PF reforçam as suspeitas de que o governador afastado é o verdadeiro dono do terreno. 


“A operação foi realizada por meio da empresa Maximuss Participações SA, na pessoa do seu diretor presidente, Erick de Oliveira Araújo, que possui renda de R$ 13.000,00 mensais e ingressou no quadro societário da empresa Maximuss Participações S/A, no mesmo dia em que Mauro Carlesse deixou de fazer parte”, diz trecho da investigação.


A Polícia Federal também soube, por meio de entrevistas com moradores, que o pai de um secretário da gestão Carlesse estaria comprando grande quantidade de terrenos na região. O inquérito agora tenta rastrear outras propriedades que foram adquiridas.


Privatização do Jalapão


A importância dessa linha de investigação se dá pelo fato de que enquanto estava no cargo de governador, Carlesse atuou para alterar a estrutura do Parque Estadual do Jalapão, com a proposta de uma lei para privatização da gestão do parque, que fez o goverador ser bastante criticado por representantes de populações tradicionais e ambientalistas na época, e a assinatura de um contrato para a construção de um aeroporto no município de São Félix do Tocantins.


A assinatura da construção do aeroporto em questão aconteceu no dia 28 de julho de 2021, uma semana após a compra do terreno, com a privatização sendo sancionada no mês seguinte. As investigações apontam que essas ações aumentariam o valor comercial dos terrenos adquiridos na região, o que geraria lucros para o governador na hipótese de ele ter adquirido imóveis, ao mesmo tempo em que aumentariam a degradação da área protegida. 


Esses fatos foram considerados pelo ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no afastamento de Carlesse do cargo por 180 dias. Em agosto de 2021, o Ministério Público Federal (MPF) no Tocantins propôs uma ação civil pública para impedir o processo de privatização, argumentando de que não houve consulta prévia ou diálogo com as sete comunidades quilombolas locais.


Defesa de Carlesse nega


A defesa do governador afastado nega as irregularidades e diz que o responsável pela compra do terreno no Jalapão foi Erick de Oliveira Araújo. Alega ainda que a concessão do parque à iniciativa privada “faz parte do plano nacional de expansão e incentivo ao turismo”, que foi divulgado há anos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela imprensa, e que a construção do aeroporto estava prevista desde 2001.

A REDETO não conseguiu contato com a defesa dos demais citados, mas caso eles queiram se manifestar, o espaço segue aberto. O e-mail para envio de notas é [email protected]




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